Já era sexta-feira. A semana tinha passado rápido demais. O céu estava pesado e choroso, sinal que a chuva viria. Andou do cursinho até o trabalho, como de costume, com o passo apressado para não pegar chuva. Atravessou duas ou três ruas, tocou o interfone, entrou no elevedor-tipo-filme-de-terror e subiu até o quarto andar.
Que a vida estava uma bosta. Não sabia o que queria. Se biologia era o que queria. Se queria passar quatro anos da vida olhando as briófitas e drosófilas, e mais 50 anos lecionando para turmas de adolescentes rebeldes. Não sabia se queria fazer aquele mestrado na Holanda, se não queria mesmo ir para Paris, se não queria visitar a Índia.
Não sabia, enfim, se era hora de escolher um amor para o resto de sua vida, se queria dormir e acordar com aquela mulher pro resto de sua vida. Pelo que parecia, ela não tinha escolha.
"Não há coisa mais agoniante que essa história de destino", pensava. E imaginar que tudo já estava pré-estabelecido e não podia ser mudado era horrível. Detestava as coisas fixas. Toda semana tinha que mudar a disposição dos móveis do quarto. Mudava de roupa 4 vezes por dia, isso porque não suportava a mesmice do para sempre.
Sentou-se e foi arrumar uns papéis. Levantou-se e foi servir um cafezinho para Mr. Ivan. Sentou-se novamente até que o interfone tocou:
Era ela. Fixa e constante, que queria subir para mais uma DR. Abriu o portão e ficou a escutar o elevador barulhento subindo pensando que, desta vez, não a deixaria tomar o controle, que diria como se sentia. "Ela não vai entender" e roía as unhas.
O elevador chega. Destranca a porta.
Ah, aquele abraço quente! Quanto amor cabia ali... amor demais, que pode durar para sempre. Pegou-a pela mão e a conduziu até a varanda.
Caros leitores, vão por mim quendo eu digo que vocês não querem saber o que aconteceu aqui. Nesse momento, a nossa insconstante heroína sentiu mais uma vez o coração ser esmagado por uma grande carreta. E é só isso que eu posso dizer.
Não se despediu, abriu a porta quase que mecanicamente e ficou de costas por um bom tempo, com a cabeça baixa. Quando se deu conta, a porta do elevador já tinha fechado.
Arrependeu-se. Chorou mais alto. Queria correr atrás dela, pegá-la ainda no carro, dizer que a amava. Apanhou a mochila e interrompeu a aula:
"May I leave now?"
E conseguiu. Desceu as escadas, não iria esperar pelo elevador. Quando chegou ao térreo, o carro dela já não estava lá. Não pensou, não mediu, não se importou com a chuva: Saiu correndo o mais rápido que podia. A cada passo, a certeza de um amor maior que ela. Apesar de tudo... apesar da asma, apesar do medo da permanência.
Debaixo do bloco dela, acenou para o porteiro. Entrou no elevador, apertou o 6 e contou cada segundo da subida. Disparou em direção à porta e tocou a campainha, abriram e porta e ela entrou assim, ofegante, sem sequer limpar os pés molhados. Lá estava ela, na sala:
- Sua louca! Você veio andando na chuva?
- Não. Eu vim correndo atrás de você.
Os olhos dela brilhavam como naquele primeiro dia.
- Eu te amo.
http://community.livejournal.com/ohnotheydidnt/48386463.html
ResponderExcluiresse eh a lady gaga
;*
lembro desse dia. obrigada pelo carinho. beijos.
ResponderExcluir