segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma história

Já era sexta-feira. A semana tinha passado rápido demais. O céu estava pesado e choroso, sinal que a chuva viria. Andou do cursinho até o trabalho, como de costume, com o passo apressado para não pegar chuva. Atravessou duas ou três ruas, tocou o interfone, entrou no elevedor-tipo-filme-de-terror e subiu até o quarto andar.

Que a vida estava uma bosta. Não sabia o que queria. Se biologia era o que queria. Se queria passar quatro anos da vida olhando as briófitas e drosófilas, e mais 50 anos lecionando para turmas de adolescentes rebeldes. Não sabia se queria fazer aquele mestrado na Holanda, se não queria mesmo ir para Paris, se não queria visitar a Índia.
Não sabia, enfim, se era hora de escolher um amor para o resto de sua vida, se queria dormir e acordar com aquela mulher pro resto de sua vida. Pelo que parecia, ela não tinha escolha.

"Não há coisa mais agoniante que essa história de destino", pensava. E imaginar que tudo já estava pré-estabelecido e não podia ser mudado era horrível. Detestava as coisas fixas. Toda semana tinha que mudar a disposição dos móveis do quarto. Mudava de roupa 4 vezes por dia, isso porque não suportava a mesmice do para sempre.

Sentou-se e foi arrumar uns papéis. Levantou-se e foi servir um cafezinho para Mr. Ivan. Sentou-se novamente até que o interfone tocou:

Era ela. Fixa e constante, que queria subir para mais uma DR. Abriu o portão e ficou a escutar o elevador barulhento subindo pensando que, desta vez, não a deixaria tomar o controle, que diria como se sentia. "Ela não vai entender" e roía as unhas.

O elevador chega. Destranca a porta.

Ah, aquele abraço quente! Quanto amor cabia ali... amor demais, que pode durar para sempre. Pegou-a pela mão e a conduziu até a varanda.


Caros leitores, vão por mim quendo eu digo que vocês não querem saber o que aconteceu aqui. Nesse momento, a nossa insconstante heroína sentiu mais uma vez o coração ser esmagado por uma grande carreta. E é só isso que eu posso dizer.

Não se despediu, abriu a porta quase que mecanicamente e ficou de costas por um bom tempo, com a cabeça baixa. Quando se deu conta, a porta do elevador já tinha fechado.
Arrependeu-se. Chorou mais alto. Queria correr atrás dela, pegá-la ainda no carro, dizer que a amava. Apanhou a mochila e interrompeu a aula:
"May I leave now?"

E conseguiu. Desceu as escadas, não iria esperar pelo elevador. Quando chegou ao térreo, o carro dela já não estava lá. Não pensou, não mediu, não se importou com a chuva: Saiu correndo o mais rápido que podia. A cada passo, a certeza de um amor maior que ela. Apesar de tudo... apesar da asma, apesar do medo da permanência.

Debaixo do bloco dela, acenou para o porteiro. Entrou no elevador, apertou o 6 e contou cada segundo da subida. Disparou em direção à porta e tocou a campainha, abriram e porta e ela entrou assim, ofegante, sem sequer limpar os pés molhados. Lá estava ela, na sala:

- Sua louca! Você veio andando na chuva?
- Não. Eu vim correndo atrás de você.

Os olhos dela brilhavam como naquele primeiro dia.

- Eu te amo.

2 comentários:

  1. http://community.livejournal.com/ohnotheydidnt/48386463.html

    esse eh a lady gaga
    ;*

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  2. lembro desse dia. obrigada pelo carinho. beijos.

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